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Um berçário e oásis natural onde descansam seguras centenas de pássaros.

O sertão do Rio Grande do Norte nos reserva descobertas sempre repletas de oportunidades em viver a natureza, a cultura e a diversidade natural dos tantos lugares, com suas características sociais e ambientais onde cada experiência se torna única e intransferível, cada pessoa vive a de forma particular a percepção da comunidade, do meio ambiente, de sua flora e fauna. No Brasil são centenas de espécies diferentes de pássaros. 

No Porto do Carão o empresário Bruno Roldão resolveu dedicar parte de sua propriedade a preservação de pássaros da região. Mantendo proibida a caça e não produzindo em uma área que passou a servir de berçário e refúgio de centenas de pássaros de diversas espécies. Graças a sua ação louvável a população de pássaros na região so cresce e se diversifica.

Diversidade tão viva, que num único clique, três espécies.

A região de Pendências à Macau reserva a diversidade de pássaros de portes, espécies variadas características das áreas de caatinga em transição com a mata atlântica e regiões litorâneas com seus mangues margeados pelo rio Assú. 

A riqueza está nos olhos de quem  vê, a caatinga muitas vezes estigmatizada pela seca, reserva até 327 espécies animais exclusivas desse bioma, segundo a ISPN

Uma das mais raras garças (Moura) avistada no Porto do Carão.

Alguns pássaros com beleza exuberante e rara como a Garça Moura podem ser encontradas junto as Garças brancas e azuis, aves de maior porte e voo elegante que margeiam rios e lagos da região criando a dinâmica bela e envolvente das paisagens nordestinas. 

Na fazenda São Sebastião os Galos de Campina dão um espetáculo a parte.

Os galos de campina, aves pequenas de cabeça vermelha que costumam estar em grupos, trazem revoadas e seus cantos tomam as manhãs das fazendas e dos arbustos de árvores e vegetação de caatinga. 

Com suas cores chamativas, enfileiram-se em galhos diversos fazendo de suas presenças um espetáculo da natureza. 

As aves limículas avistadas no litoral de Diogo Lopes – Macau

Já nos territórios litorâneos e lagoas podemos encontrar as aves limícolas e que são migratórias mudando de região e até de país de tempos em tempos possíveis de serem avistadas tanto em Pendências como nas regiões litorâneas de Macau. 

O gavião caramujeiro em seu voo preciso e imponente.

A observação de pássaros torna a imersão sobre o Sertão como um profundo e recompensador aprendizado, um encontro com nossas origens mais ancestrais. Há quem diga que os pássaros são os únicos seres vivos que descendem da era dos dinossauros, o que proporciona a religação com nossos laços naturais com o meio ambiente mais longevo da face da terra. Esses que com os cantos dos, nos acolhe, com seus voos levam nossa imaginação nas asas e sobre as árvores nos fazem entender que estamos em um lugar de convivência, respeito e de interação, onde a dinâmica da vida é vasta, bela, complexa e cheia de descobertas. 

Foto: Paulo César – Fotógrafo Vlademir Alexandre durante o mapeamento para a expedição fotográfica.

O Além do Mar junto ao fotógrafo Vlademir Alexandre irá produzir uma expedição fotográfica com intuito da observação de pássaros e diálogos comunitários no Porto do Carão e Pendências no RN.

Através do link você poderá registrar na lista de interessados e pré reserva para a Expedição.

https://forms.gle/tDFkesrW3e3gugmj7

Essa será uma oportunidade única de vivenciar uma imersão na região com um olhar intimista sobre o universo incrível desses animais dos céus.

Fotos: Vlademir Alexandre

O espaço da agricultura a muito deixou de ser o lugar de produzir alimentos e plantar mudas.

A agricultura corresponde a muitas frentes de produção de bens diversos. No meio rural se encontram mais que simplesmente agricultores, os povos tradicionais, indígenas, quilombolas e ribeirinhos, juventudes e mulheres, sustentam-se a produção de artesanato, e o espaço da luta pela reforma agrária e onde se manifestam os mais importantes Folguedos brasileiros. Esse lugar da agricultura que se demonstra cada vez mais atrativo, empoderado e capaz de oferecer experiências tanto no campo do turismo sustentável e de base comunitária como capaz de oferecer oportunidades de imersão e vivências marcantes a quem se entrega a viver um pouco dessa riqueza.

A agricultura é tudo isso pois todos estes povos de alguma forma são agricultores e agricultoras e sendo os que tem suas identidades construídas nesses espaços se emancipam e apoiam a força de um Brasil que representam.

No artigo “Juventude e identidade – REFLEXÕES SOBRE A ORGANIZAÇÃO DOS JOVENS NO TERRITÓRIO POTENGI/RN” da Professora Dalvanir Avelino da Silva junto à Deputada Divaneide Basílio, se afirma a importância do território sendo também lugar da juventude na agricultura como espaço de afirmação de identidade e onde o que se faz do lugar é o que o define como território:

“O uso que as sociedades e comunidades humanas fazem do espaço é o que define o território, de acordo com o geógrafo Milton Santos, para quem o território é espaço vivido, sendo, portanto, construído socialmente pelos sujeitos sociais na medida em que desenvolvem suas ações. Ao englobar a produção da vida humana em seus aspectos materiais e simbólicos, o território vai possibilitando a construção de identidades e alteridades.”

Quando o alimento chega em nossas, a agricultura chega junto.

O valor dos bens da agricultura alimentam nossa fome de comida, de cultura, de arte e de identidade. Exemplo disso na cidade de Natal é o restaurante Oásis Natural que tem sua culinária integrada a produção de alimentos da agricultura proporcionando uma experiência íntima com o resultado do que a cidade tem a ganhar com a relação sustentável entre urbano e campo.

A condição de educar é sem dúvidas das mais relevantes atribuições humanas afim de fomentar o conhecimento e equilibrar as relações de poder e desenvolvimento social.

Algumas dessas pessoas intituladas professoras e professores carregam em si a força da transformação como marca de sua atuação. E assim, fazendo de sua missão educar transformando vidas, conduzindo seus pupilos para o bom e para o bem.

Professora Joana Sabino.

A EDUCADORA E O ARTISTA: O LEGADO DE D. JOANA SABINO E GUARACI GABRIEL

Texto: Geraldo Barboza de Oliveira Junior

São Pedro do Potengi, RN – Em uma história que transcende a aridez do sertão norte-rio-grandense, a vida de D. Joana Sabino de Araújo, uma mulher negra, agricultora, dona de casa e educadora/alfabetizadora, se entrelaça de forma indissolúvel com a trajetória de Guaraci Gabriel, um dos mais renomados artistas plásticos do estado. Essa conexão, inicialmente improvável, revela um elo profundo de sensibilidade, percepção e transformação.

Nascida em 1932, em João Câmara, D. Joana Sabino dedicou sua vida à melhoria da qualidade de vida de seus conterrâneos. Sua jornada como educadora começou de forma humilde, ensinando crianças analfabetas no armazém da fazenda Riacho do Feijão, onde seus pais eram moradores. Com o tempo, a “professora” D. Joana, como era carinhosamente conhecida, transferiu sua escola para casa e, posteriormente, lecionou oficialmente na Escola Municipal José Rodrigues dos Santos em São Pedro do Potengi.

Como educadora, D. Joana adotou uma abordagem emancipatória, mesmo antes de conhecer o Método Paulo Freire. Sua intuição a impulsionava a atuar em diversas frentes, organizando a comunidade e reivindicando melhorias, como a conquista de um poço artesiano com sistema de dessalinização de água e a construção de casas populares. D. Joana não media esforços para ajudar, guiada por sua vontade inabalável de fazer a diferença.

Guaraci Gabriel (a esquerda) ao lado da obra que homenageia a professora Joana Sabino

O legado de D. Joana é imortalizado, de forma monumental, por Guaraci Gabriel. Filho dos donos da fazenda Riacho do Feijão, Guaraci foi alfabetizado por D. Joana, que percebeu seu talento precoce e incentivou sua mãe a matriculá-lo em uma escola de artes. Guaraci Gabriel reconhece abertamente a influência de D. Joana em sua carreira, afirmando que a sensibilidade e percepção dela foram o catalisador para sua jornada artística. Suas monumentais instalações em ferro e aço, que hoje adornam diversos espaços, não seriam uma realidade sem o olhar perspicaz da educadora.

Em 27 de agosto de 2019, D. Joana Sabino faleceu aos oitenta e sete anos, mas suas marcas e seu altruísmo permanecem vivos. Em reconhecimento a essa figura inesquecível, Guaraci Gabriel criou uma instalação escultórica em sua homenagem, que materializa a memória dessa mulher aguerrida que dedicou sua vida a transformar outras vidas.

Guaraci Gabriel – do pequeno aluno ao grande artista.

Hoje, 15 de outubro de 2025, Dia do Professor/Educador, celebramos não apenas a luta e a lembrança daqueles que formam gerações, mas também a figura inspiradora de D. Joana Sabino. Sua história nos lembra que a educação e a arte são poderosas ferramentas de transformação, capazes de moldar destinos e construir legados que perduram por gerações.

 

Produção inédita traz à tona o olhar por trás das câmeras e valoriza o trabalho dos(as) diretores(as) de fotografia do RN

Lançado em rede Nacional no canal (5.1) TV Brasil e no canal do programa Olhar Indepente neste dia 03 de outubro de 2025

A fotografia no audiovisual, muitas vezes percebida apenas de forma intuitiva pelo público, é uma arte essencial na construção narrativa de filmes, séries e documentários. Mas afinal, o que faz exatamente um(a) diretor(a) de fotografia? Como é formada essa assinatura visual que imprime identidade às obras? Essas e outras questões norteiam a websérie documental “Luz&ntes, que estreia nesta sexta-feira, 3 de outubro de 2025, com uma proposta ousada: evidenciar os bastidores da criação visual no cinema potiguar.

Dirigida por Vlademir Alexandre — fotógrafo, documentarista, integrante do Coletivo DaFoto! e do programa Olhar Independente — a série se dedica a retratar a trajetória, os processos criativos e as lutas pessoais e profissionais de importantes nomes da direção de fotografia do Rio Grande do Norte.

Rodrigo Senna abre as exibições dos episódios da Websérie

Um mergulho na identidade visual potiguar

Luz&ntes é uma série que mergulha na identidade visual potiguar, construindo ao longo de seus episódios um panorama dos profissionais que atuam na fotografia e no audiovisual do Rio Grande do Norte. Através de um enfoque intimista, cada episódio traça o perfil de um(a) profissional da área, revelando a construção de suas carreiras, suas motivações, os bastidores e suas identidades autorais, ao mesmo tempo em que apresenta seus trabalhos com destaque para cenas marcantes e curiosidades de cada produção. A série também discute temas como formação técnica, desigualdades de acesso, questões de gênero, regionalismo, mercado de trabalho e as possibilidades criativas que emergem a partir do território potiguar.

Carlos Segundo é o convidado no segundo episódio da Websérie Luz&ntes

Estreia multiplataforma

O lançamento acontece de forma simultânea em plataformas online e televisivas. Os episódios serão exibidos:

• No canal do YouTube de Vlademir Alexandre, com estreia de dois episódios, nesta sexta-feira às 19h e 20h respectivamente;

• Em rede nacional pelo Canal Brasil, sempre às 6h da manhã;

• E na TVU (canal 5.1, TV aberta), com reprises às segundas-feiras, às 15h30.

Na noite de estreia, além da exibição dos dois primeiros episódios, o público poderá acompanhar uma entrevista com o próprio autor da série, abordando os bastidores da produção e os objetivos do projeto.

Homenagens e participações

A primeira temporada conta com a participação de nomes de peso da fotografia potiguar, entre eles: Rodrigo Sena, Carlos Segundo, Carito Cavalcanti, GiovanneRocha, Larinha Dantas, Jefferson Dutra, Júlio Schawantz, Justino Neto, Julia Donatti, Sylara Silvério, Giovanne Sérgio, Wallace Santos, Joahn Jean e ThamisseCerqueira.

Um dos episódios mais emocionantes da temporada será dedicado ao fotógrafo e diretor de fotografia Carlos Tourinho, que faleceu antes de gravar seu perfil. O episódio especial presta uma homenagem à sua trajetória e à sua contribuição para o audiovisual do estado e do país.

Fomento à cultura e visibilidade

A websérie “Luz&ntes” é resultado direto do incentivo público à cultura, tendo sido viabilizada por meio dos recursos do edital da Lei Paulo Gustavo, com apoio da Secretaria Municipal de Cultura (SEMUC)Prefeitura de ParnamirimMinistério da Cultura e Governo Federal. A produção reafirma a importância das políticas de fomento para o fortalecimento da cadeia produtiva do audiovisual, especialmente em territórios fora do eixo Rio-São Paulo.

Com sensibilidade, rigor estético e compromisso com a memória visual, “Luz&ntes” surge como um marco na valorização da fotografia potiguar, contribuindo para ampliar a compreensão sobre o papel vital desses(as) profissionais na linguagem cinematográfica e audiovisual.

Durante os próximos meses serão disponibilizadas os episódios dos autores convidados e um programa que será dedicado a apresentação da iniciativa e homenagem a Carlos Tourinho, que partiu antes que pudéssemos gravar o episódio sobre seu trabalho. 

Os canais que estarão disponibilizando são: 

✓ https://youtube.com/@vlademiralexandre2255?si=MzudGPTWZuw6AcUx

✓ https://youtu.be/bJUS_rSSlAY?si=tt5vsiQxdiYLJh-4

✓ https://youtube.com/@coletivodafoto?si=ju8q3VovJfD-LShF

Mais informações e acesso aos episódios:

• YouTube: Vlademir Alexandre – Oficial

• Instagram: @vlademiralexandre

Com seus pincéis e olhares a exposição Feito Potiguar abre as portas na Pinacoteca do Estado. 

A representação do Saber local por 51 Mestres e mestras in memoriam, que vão de Joaquim Fabrício a Dorian Gray, de Chico Santeiro a Newton Navarro passando por Erasmo Xavier, Maria do Santíssimo, Yaponi Araújo, Aécio Hemerenciano e tantos outros ícones das artes visuais do RN. A  exposição foi organizada em quatro núcleos e ainda constam duas homenagens especiais, passando por temas como a fé, a natureza do sertão e do litoral norte-rio-grandense a exaltação da figura feminina com uma seção toda destinada à obra de mulheres artistas. A exposição propõe um passeio pelo clássico a arte naif, além de obras baseadas na teoria da complexidade, a pintura bruta em materiais rudimentares à tapeçaria artística, esculto-pinturas e até obras com a impressão do olhar pareidolista, trata-se de uma mostra de arte que promove e festeja o poder criativo da arte potiguar, de uma poética profunda em raízes e motivos. 

Dividida em quatro núcleos, sendo o núcleo um, composto de casarios, e paisagens históricas e de contornos culturais que demarcaram as paisagens com a identidade das famílias tradicionais. Já o núcleo dois retrata Câmara Cascudo com as tradições e o folclore, traduzido com obras relacionadas a cultura popular e suas diversas manifestações folclóricas, a fé com todo o poder colorido e expressivo destes temas. 

O Núcleo três traz a natureza viva, celebra a riqueza natural a partir dos frutos, com apelo demarcado pelo simbolismo do caju de Vatenor  e da exuberância dos frutos e biomas potiguares em toda sua riqueza. 

Por fim, o núcleo 4 trata do feito feminino que expressa a contribuição de artistas que ultrapassaram as barreiras do machismo em tempos que a mulher era ainda mais subjugada, a criatividade de Bolsinhas, Célia Albuquerque, Maria do Santíssimo e outras que foram expressões de avanço e afirmação das mulheres como marca de uma arte técnica e de poética profunda, forte e criativa.

A exposição estará na Pinacoteca do Estado no Centro da Cidade dos Dias 26 de setembro a 30 de Novembro e o Acesso é gratuito. 

Texto e fotos: Vlademir Alexandre

Diogo Lopes é uma comunidade ribeirinha em Macau, RN, onde está abrigada uma RDS (Reserva de Desenvolvimento Sustentável Ponta do Tubarão) Importante área da biodiversidade do Estado e de beleza inigualável. 

Além do Mar foi vivenciar este encontro de culturas e de riquezas do povo do mar durante a 27ª regata dos navegantes envolvendo as comunidades de barreiras, Diogo Lopes e Sertãozinho. 

Entrevistamos Luís Ribeiro, conhecido como Itá (62) nativo de Diogo Lopes educador popular em entidades como a comissão de justiça e paz, PJMP entre outras, sempre envolvido com as questões ambientais, contou que está envolvido nas regatas do princípio até os dias atuais e que após 29 anos chega a 27 regatas, pausa de dois anos devida a crise de saúde sanitária durante a pandemia do coronavírus. 

Em 1997 ele com 34 anos ouvia os pescadores da época se vangloriarem quando “venciam” seus companheiros de trabalho do mar no correr das embarcações a vela. Dali surgia o desejo de construir um momento de interação e encontro entre os homens do mar  e que depois com a evolução agregou as mulheres da pesca e a comunidade de Diogo Lopes. Junto ao grupo de jovens na comunidade fundaram a primeira regata. 

Hoje a ação conta com diversas atividades e modalidades esportivas agregadas dando a forma de uma grande confraternização popular em uma paisagem paradisíaca. 

A regata de Diogo Lopes se afirma como um encontro de raízes e destinos onde as gerações se encontram em um ato de respeito, responsabilidade ambiental e a história dos mestres do mar como exemplos de dedicação, conhecimento ancestral e fonte de exemplos as famílias do lugar, como também enaltece a importância das mulheres marisqueiras, fortalecendo em diálogo fraterno com uma juventude que transita entre o ancestral, o esporte e a tecnologia dos dias atuais. 

Entidades como UERN – IBAMA – IDEMA participam das programações educativas.

Está edição conta com apoio do município, da comunidade através de trabalhos voluntários, entidades parceiras, bingos, doações e da iniciativa privada que neste ano recebeu o apoio da Fundação Casa Socioambiental, esta que ao completar 20 anos deve lançar um livro durante a COP30 tendo fotografias da regata em suas ilustrações.

Mas, nem sempre foi assim, conta Itá, as dificuldades financeiras foram superadas com muito empenho e dedicação do povo e parceiros com pequenas doações pessoais e muito trabalho voluntário, velas feitas sem as condições ideais. Mas com muita vontade e fé o que se percebe na resistência de sua história. 

Hoje os pescadores não utilizam mais a vela na pesca do dia a dia. Foi paulatinamente substituído pelo motor. Porém a arte da vela se mantém por causa da tradição da regata e mantém os ensinamentos ancestrais do mar como instrumento de valorização e riqueza da comunidade ribeirinha. Os barcos utilizados são os mesmos do dia a dia das famílias ribeirinhas. Porém são sempre cuidados com pinturas, novas, letreiros de identidade e velas novas são alçadas para a competição.

Barbinha o pintor letrista que não sabe ler.

Ozelildo (56) Conhecido como Barbinha é um dos pintor letrista ex-pescador e que pinta os barcos em geral. Desde dos 12 anos de idade pinta os nomes e frases nos barcos, no início, como assistente de Assis Ribeiro que após falecer deixou a arte nas mãos de Barbinha.

O curioso é que Barbinha é analfabeto e escreve com perfeição e arte a identidade das embarcações.

Em um lugar de nossa costa Norte-rio-grandense ocorrem periodicamente a ocorrência de muitas espécies de aves migratórias, proporcionando uma experiência única e de importância fundamental na manutenção do equilíbrio ambiental do planeta.

Na RDS Ponta do Tubarão na localidade de Diogo Lopes, distrito de Macau no RN região composta de um bioma especial e abundante há frequentemente a ilustre visita de aves das mais variadas regiões do planeta. Nós estivemos vivendo um pouco dessa rica experiência.

Em publicação do projeto aves migratórias tocado pela ONG Quasis é possível saber que estas aves chegam a se deslocar trinta mil quilômetros pelas costas denominadas Rota migratória do Atlântico Ocidental.

Porém este bioma como tantos outros, sofrem a degradação dos habitats cruciais para a manutenção da vida dessas aves.

É preciso proteger, criar políticas ambientais firmes e ações sociais que proporcionem vivências aproximando a realidade das populações com a importância de preservar a natureza para fins de nossa própria sobrevivência.

Texto: Vlademir Alexandre é fotógrafo e escritor idealizador do Além do Mar.

As chuvas de São José

Parecia uma oportunidade de sair do centro temporal e turbulento dos desafios contigentes que foram postos nesse mais recente período.
Contei que mover-se no sentido outro que não de se acomodar a dor e a dificuldade e onde pudesse afirmar lugar diferente. E assim me coloquei à disposição de minha motivação, mesma a que carrega a condição de expressar uma intensidade própria de ver e sentir os mundos externos. Fazendo disso resultante de dedicação profissional.

A força da água, a delicadeza das plantas e a dureza do concreto a serviço da vida.


Sim. Porém, quando destino ocorre denso e sem se poder contar com previsão, os acontecidos moldam os motivos a revelia do querer.
Mas nos resta o desejo imenso de contar histórias de poder e emoção.

Ser fotógrafo impõe laços com o acaso, enfrentar os fatos indo para tão mínima distância do cerne que inevitavelmente se faça como se fazem as grandes batalhas.
Assim, o fotógrafo nesse caso. Eu sendo, levo toda minha bagagem do meu eu mais profundo para o campo de onde vou em busca da história na forma que me impacta. O motivo é explodir pelo olhar um conteúdo que não sendo meu, me aproprio para mostrar a fonte do fundo de meu espírito, que transforma o fato em olhar tão íntimo quanto o parto de minha mãe.
Foi assim que fui a Jucurutu fotografar a inauguração da barragem de Oiticica.

Saído de dias pessoais de muitas tensões tão difíceis e dolorosas quanto centradas no amor familiar, segui para uma construção de sob novas condições, fora de meu controle, encarar que a vida não tem que ser sempre fácil, mas se focar um tempo após a dor muda muita coisa, e trás até no cuidado com as feridas um certo contentar-se com o se manter, até no jeito de se viver as quedas das imposições de quem segue só por caminhar mostrando o olhar e o sentir sobre quem se é.
E assim fomos eu e o repórter Valcidney, o carro quebrou duas vezes na viagem, a última sem possibilidade de conserto, passamos a usar mototáxi para ir em busca das histórias, depois alugamos um carro para concluir, sem sinal de celular foi o diálogo planejado nosso método de comunicação, credenciais nos foram negadas, mas desistir não esteve na pauta. Continuamos e com apoio, cumplicidade, resiliência, foco nos resultados concluímos sob uma intensa chuva no dia de São José, aos raios e trovoadas esperando um transporte para voltar ao lar enquanto meu carro era rebocado.
E assim contamos histórias de vidas, lugares e aprendizados.

(Fotos e texto: Vlademir Alexandre)

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No sol escaldante a queima das peças para levar as feiras e oferecer para o sustento das famílias.

Sobre a beleza maior, aquela que pulsa que vibra na fundação de forças incompreensíveis na vida incomum de pessoas brancas e de quem tem no consumo a centralidade da percepção de conquistas vitais, esse mero engano, o que no rápido passar de olhar sobre matriarcas anciãs dessas terras remanescentes se vai desconstruir. Nessa visita do Além do Mar, curta porém profunda, de certo vai ficar o gesto de Dna Vó de Baixo, o desprendimento de quem pouco tem, o presente como resposta a conexão de nossas almas, o sentido maior a caminhada que é o sentido dos encontros e a gratidão por sentir essa potência ancestral em nossa vida.

Vó de Baixo, desprendimento e sabedoria de uma matriarca.

A comunidade Negro do Riacho que é de fato uma das comunidades quilombolas mais conhecidas do Rio Grande do Norte, apesar de se encontrar em região afastada e reconhecida como terras quilombolas.

Dna Noêmia “não quero ficar parada, é melhor fazer minhas panelas”.

Vulnerabilidades sociais expostas e seculares misturam-se a marca mais característica dessas famílias quando o assunto é patrimônio imaterial. O barro donde conta-se que viemos é a matéria prima que passa hereditária entre entes e elos de respeito e afirmação dessa comunidade. As louceiras como se conhece, levam a labuta da cultura do fazer retirado das terras, a argila que dá princípio a construção não só de utensílios de barro, mas, é a estrutura subjetiva que une as famílias molda as relações de hierarquias e posicionamento dentro de famílias, cuja as vulnerabilidades de direitos humanos elementares. muitas vezes ausentes não leva a esmorecer estes e estas persistentes protagonistas de suas próprias histórias.

Não há limite para cultivar a alegria. Essa é a lição da infância.

Fragilizados na manutenção de condições de sobrevivência e auto-estima a vida se leva sob um sol escaldante em que suas peles brilham em contraste nas queimas do barro moldado das louceiras junto a os homens e crianças fazendo a vida se tornar exemplo a quem ali visita e compra as panelas, pratos, jarros. Há de ser recebido com calor humano, gentil e natural, quem ali experência a forma acolhedora garantindo memórias ricas de aprendizados e carinho.

A marca da comunidade são as famílias em torno da cultura das louceiras.
As panelas de argila tem características de brilho próprias apenas da matéria prima extraída pelas louceiras de Negro do Riacho.

A obra de arte é um ato coletivo.

Na cidade do Caicó um jovem de 23 anos se identificou a três anos como colagista, suas primeiras obras já apontavam a grandeza de suas releituras dos temas mais variados dessa nossa sociedade em que na arte se faz celeiro da criação. A diversidade do mundo acontecendo nos propõe como artistas ressignificar o cotidoano, reposicionar a criatura pela criação. Gabriel faz isto com entrega e sensibilidade únicas, provocando com suas artes, sensações, emoções e beleza que resultam em quadros primorozos, cheios de significado.

Estando na cidade de Caicó ele produz seu trabalho que é adquirido por clientes por todo o Brasil.

No ano de 2022 ele entrava em contato para somar a construção de um provável nova colagem com o tema voltado a Santana. Em sua pesquisa ele veio buscar uma fotografia de autoria minha (Vlademir Alexandre) e como arte não se faz só, mas sim, com toda a carga das vidas que provocam o impulso artístico, somamos a minha fotografia ao desejo de criar de Gabriel. Era o início de uma troca rica em amadurecimento e admiração mútua que só foi se concretizar como obra final em 2023. Gabriel com um posicionamento respeitoso, ético e coletivamente responsável, me contatou mais uma vez, afim de confirmar a aquisição de minha fotografia na composição de seu trabalho. Fizemos um acordo de troca de obras. Eu entreguei a minha e ele entregou uma cópia da sua criação. O processo que aconteceu dias após minha mãe ter subido aos campos da eternidade, me apontando um sentido simbólico cheio de amor e valores aos quais minha vida se ampara, dando sentido e conforto às saudades que agora recebem o carinho de Santana.

Pois a vida e a arte são encontros de almas e afetos materializados como resultados de

algo acima de nossa vã humanidade.

Assim acontece a criação de Gabriel Fernandes.
Veja como foi o encontro do fotógrafo Vlademir Alexandre com o colagista Gabriel Fernandes.

Contato Instagram: @biel_artlife

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