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Na Paraíba, mais precisamente na cidade de Ingá está o vale arqueológico da Itacoatiara, a visita proporciona uma imersão  na pré-história e  um dos grandes mistérios da arqueologia, que são as inscrições rupestres em baixo relevo que se pode ver lá além do museu com peças arqueológicas que há na entrada.

Até hoje diversos pesquisadores e cientistas de diversas áreas, não encontraram uma explicação definitiva sobre a origem dos grafismos encontrados no lugar.

Nós fomos lá conferir a beleza desta região e seus mistérios, lá fomos acolhidos pelo Vavá da Luz, que além de um defensor da preservação da história é poeta, um legítimo nordestino.

Vavá conta que uma das grandes emoções que teve foi ver uma imagem das Itacoatiaras do Ingá na embaixada dos EUA, no museu do Louvre e na Alemanha, sendo ainda mais conhecida fora do Brasil do que na região.

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Fomos desbravar a estrada, na bagagem o desejo de conhecer, vivenciar os lugares, experimentar sua cultura, contemplar a diversidade natural ofertada como brinde a nossos olhos de viajantes.

Nos próximos posts contaremos um pouco da experiência vivida ao longo dos mais de dois mil quilômetros percorridos por Minas Gerais, passando também pelo Rio de Janeiro e São Paulo. O povo, a culinária e a história foram nossos guias de sensibilidade e rota.

Escolhemos dois caminhos da Estrada Real, o Caminho dos Diamantes que vai de Diamantina a Ouro Preto e o Caminho Velho, que sai de Ouro Preto até Paraty.

A rota proporciona a passagem por três estados, logo, uma das experiências que esta viagem pode entregar, com certeza, é a mudança de características e peculiaridades que cada região tem como marca.

 

Nossa aventura começa em Diamantina, a aproximadamente 400 km de Belo Horizonte. O antigo Arraial do Tejuco abastecia a Coroa portuguesa com ouro e Diamante retirados de suas lavras e levados a Paraty, e dali seguiam para Portugal. Com quase três séculos de existência Diamantina é um dos destinos mais visitados da Estrada Real. A cidade é repleta de igrejas e construções coloniais que marcam a história do país.

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A sensação de caminhar pelas ruas de Diamantina é a de retornar no tempo, prédios, casas e igrejas da época do Brasil colônia estão preservados com muito zelo, suas ruas de rocha, tudo remete a um clima nostálgico reforçado pela memória de seus cidadãos mais ilustres como Chica da Silva e o presidente Juscelino Kubitscheck.

As belezas naturais do lugar são um atrativo de encher os olhos e refrescar o corpo.

A começar pela Serra do Espinhaço, de onde se tem uma vista privilegiada da cidade e um pôr do sol magnífico, passando pelo caminho dos escravos, trecho de estrada construído pelos escravos para facilitar o transporte das especiarias e minérios extraídos na região.

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As belezas naturais tomam sua forma mais abundante nas cachoeiras do lugar, como a dos Cristais e a Sentinela, nelas o convite ao banho é irrecusável, as águas transparentes formam belas piscinas e laguinhos próximos as quedas d’água, vale um bom mergulho. Na ida vale uma esticada até o Vale do Biribiri, uma antiga tecelagem da região onde há restaurantes, uma bela igreja e área de camping, o ambiente é muito agradável, verde campestre, e está na rota das cachoeiras.

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Cachoeira próxima ao assentamento Timbó.

 

Seguir a mata, seus encantos, mistérios e riquezas, viver o campo e o povo que dele tira o seu sustento… Assim é a experiência de desbravar os caminhos e trilhas naturais do assentamento Mata Verde e Timbó no município de Espirito Santo, na região do agreste/litoral sul.

Orientados pelo guia Francisco, morador do local e agricultor apaixonado pelo lugar, adentramos a mata verde e conhecemos as árvores que curam pela casca, os perfumes da floresta, as cores e texturas diversas dos diferentes cogumelos, as raízes imponentes, os sons curiosos e as marcas dos animais que habitam o lugar, as madeiras mais resistentes, as folhas cortantes, as nascentes. A cada parada, a explicação sobre tantas questões peculiares do sertão.

Caminhar aproximadamente 8km em uma floresta rica de variedades, e tantas possibilidades de conhecimento, deixam o esforço e o cansaço em segundo plano. Se tiver ainda a oportunidade de encontrar com Sr. Coronel, agricultor que além de diversas histórias de vida, carrega consigo amigos tocadores do legítimo forró pé de serra, tocado sob a copa de uma árvore, numa das ruas do assentamento, aí estará coroado um passeio cheio de boas lembranças e histórias para contar.

Imagine se ao findar isto tudo você fosse recebido pela grata hospitalidade sertaneja, com um banquinho pra sentar, uma água de coco e sucos de frutas tropicais. Pois foi assim nossa passagem por este lugar encantador, para quem abre os olhos para se encantar.

Se não bastasse tudo que já foi dito, ainda encerramos nossa visita com um refrescante banho de cachoeira no assentamento Timbó (vizinho ao assentamento Mata Verde), tudo isto a menos de 100 km de Natal. Além do mar e RN adentro existem muitas riquezas a nos esperar.

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O Guia e agricultor Francisco, grande conhecedor da Mata Verde.

 

“O homem não inventa uma canoa só porque deseja cruzar o rio ou vencer o mar, mas inventando a canoa, ele toma consciência do mar, do rio, da canoa e de si mesmo.”
Roberto da Matta

Fotos: Vlademir Alexandre

O rio que nasce na Serra da Canastra percorrendo 2800 km de extensão, responsável por 63% das águas perenes do nordeste, protagonista de diversas referências socioculturais que marcam a historia do Brasil, o velho Chico, como é carinhosamente apelidado, entrega a força de suas águas (precisamente ¼ das águas que correm para o mar) a o mais audacioso projeto de infraestrutura hídrica do País.
A Transposição do Rio São Francisco é uma realidade de um sonho amplamente debatido a décadas, hoje com obras avançadas em dois eixos, o Leste e o Norte.
Fomos visitar o Eixo Norte, e o que pôde ser visto é uma obra de dimensões colossais.
As águas do eixo Norte estarão disponíveis para a irrigação, a pecuária e fomentando o turismo e o desenvolvimento de 232 municípios e 7,5 milhões de pessoas, diretamente beneficiadas no Ceará, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte .
Serão 56 milhões de m³ de água, alguns milhares já chegaram até próximo o município de Jardim de Piranhas, na barragem de Tucutu, saindo de Cabrobó, o canal deve avançar por mais 11 barragens até o Rio Grande do Norte, compondo um sistema hídrico com 402 km de extensão.
Na visita conhecemos a barragem de Morros com aprox. 50 Milhões de metros cúbicos recebendo água de Mauriti-CE através do túnel Cuncas I com incríveis 15,4km de extensão por baixo de um conjunto de serras, ligando Pernambuco ao Ceará.
No RN as águas do São Francisco chegarão por Major Sales até Santa Cruz-Apodi e Piranhas Assu seguindo até a barragem Armando Ribeiro Gonçalves, que deverá receber essa água através da barragem de Oiticica em Jucurutu. (essa barragem beneficiará 17 municípios do Seridó e Vale do Assu no RN)
Até 2025 as obras devem estar concluídas e o sonho que data de 1847 estará realizado, boa parte do nordeste terá um cenário de seca e falta de água para necessidades básicas, deixado para os livros de história.

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Vista de cima do parque natural de Alcobaças.

Nascido assim, de uma descoberta recente sobre uma história antiga, foi nossa ida ao Vale do “Catimbau” (cachimbo velho pequeno na prática de feitiçaria, terra de caboclo), um destes destinos que instigam o imaginário das belezas e culturas nordestinas.

Há milhares de anos o lugar foi protagonista na passagem de diversas culturas, eternizadas em pinturas rupestres que hora narram fatos, hora registram traços abstratos e grafismos de difícil interpretação.

Os povos indígenas estão na região vivendo até os dias de hoje na aldeia Kapinawá. Remanescentes dos povos que há milhares de anos já habitavam a região,

O Parque Nacional do Catimbau é considerado uma das sete maravilhas do mundo e ocupa uma área de 62.300 hectares,  abrange três municípios, Tupanatinga, Ibimirim e Buíque . Localizado na região agreste pernambucana, porém de transição com sertão, o que proporciona um clima curioso, quente pela manhã e frio à noite.

Para conhecer o lugar, a dica é contratar um dos guias locais e se aventurar  nas 11 trilhas possíveis.  O  vale é um destino que comporta programas de vários dias com programação bem diversificada de trilhas para todos os ritmos e preparos físicos.

Rochas sedimentares de arenito são predominantes, formações exuberantes, de formas curiosas que desafiam o imaginário, platores, paredões, cavernas, inscrições rupestres , cachoeiras e belas áreas de camping  além do clima e da receptividade do povo do lugar, fazem do Vale do Catimbau um encontro com um nordeste singular, rico e cheio de encantos inesquecíveis.

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Área da cachoeira que mesmo sem água proporciona uma bela paisagem.

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Jovem Kapinawá brinca em cipós nas rochas do parque do Catimbau.

 

A aparência, muitas vezes seca da paisagem, esconde uma riqueza hidrográfica bem embaixo de nossos pés. Na área rebaixada do vale 6.660 km de bacia hidrógrafica no subsolo, onde encontra-se água cavando apenas 2 a 4 metros.

Entre os atrativos, há o Parque Alcobaças, segundo maior sítio arqueológico do Brasil onde há um paredão na rocha com 60 metros de inscrições rupestres das tradições nordeste e agreste, pintadas com tintas a base de sangue de animais.

Um lugar que remete a origem dos tempos e da humanidade, uma visita que proporciona experiências singulares, observação da flora e fauna, vivência social e a simplicidade magistral da natureza.

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Pôr do sol na pedra da pedra do camping Paraíso selvagem.

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A noite mágica no Camping Paraíso selvagem.

A próxima oportunidade de curtir uma viagem com foco na troca de experiências do viajante com a cultura local e suas especificidades está programa para dezembro.

Um destino belo de serra, um bate papo com professor, poeta e pesquisador Plínio Sanderson e mais a assistência didática e palestra sobre fotografia, fazem deste projeto de expedições, oportunidades únicas de conhecer lugares e voltar com algo mais para contar.

Estamos divulgando o cadastro de interesses para você se inscrever na expedição a Monte das Gameleiras.

 

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Nos próximos dias 31 de outubro e 01 de novembro o coletivo Fixar faz a primeira expedição a Barra de Cunhaú.

Com o  propósito de proporcionar as pessoas uma experiência diferenciada de viajar, o coletivo criou um roteiro com ares de imersão cultural, explorando a diversidade de atrativos da região.

A expedição que conta com turismo histórico em Canguaretama passando pela Capela dos Mártires de Cunhaú e edificações coloniais de Vila Flôr, onde também poderá se experimentar o turismo ecológico em uma pequena caminhada fazendo da viagem um encontro de sensações e paisagens diversas.

Já em Barra de Cunhaú as paisagens de mangue, encontro do rio Catu com o mar e as belas paisagens de praia darão o tom, junto a um bate papo/palestra sobre fotografia e cultura local. Os fotógrafos Vlademir Alexandre e Alex Régis vão falar sobre fotografia e o convidado, Sr. Genival Mangabeira, vai falar  sobre aspectos da cultura local. Os fotógrafos também vão estar acompanhando os viajantes em todo o período e darão apoio didático a quem quiser tirar dúvidas sobre fotografia.

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